Arquivo para janeiro, 2015

FALSO DIABO INFERNO VERDADEIRO

Posted in Uncategorized on janeiro 19, 2015 by contosdacratera

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Por Glaucio Fabrizio

A loucura sempre esteve ao lado de Estefânio. Criança órfã criada num convento que ficava no fim da rua 7, logo cedo mostrou interesse pela musica, lá aprendeu a tocar saxofone, ou pelo menos o básico para começar a tocar intuitivamente, pois além da loucura, Estefanio apresentava um alto grau de dislexia que dificultava ao máximo o seu aprendizado. Prestes a completar a maioridade, foi expulso do convento depois de ser pego cheirando as roupas intimas sujas das freiras. Passou a viver nas ruas, tocando o sax que roubou antes de sair do orfanato, juntava umas moedas e ia tomar uns refrigerantes em qualquer boteco que não o afugentasse por ser um morador de rua. Apesar de todos os seus problemas, o garoto apresentava uma inteligência fora do comum, era capaz de reformular teorias científicas com argumento de fazer o mais hétero dos héteros dar o rabo a um cavalo. Tinha uma voz aveludada e olhos complacentes, porem logo depois de ideias fantásticas desvirtuava em falácias sem sentido:

– Sabe Geraldo, esses fios de eletricidade são trabalho de gente burra e gananciosa, Tesla muito antes disso tudo inventou uma forma de distribuição de energia elétrica, de forma gratuita e sem fios, percebe? – disse a Geraldo, o pipoqueiro da praça.

– É mesmo? Indagava desconfiado o pipoqueiro enquanto cutucava com o cotovelo um universitário que sempre vinha ouvir as lorotas de Estefanio.

– É verdade Geraldo, Nikola Tesla foi um cientista genial que foi engolido pela ganancia de Thomas Edson! – rebateu o universitário.

Logo em seguida Estefanio completava:

– Antes eu achava que o mundo tinha a forma redonda, mas depois descobri que ela tem a forma de uma garrafa e tem um suspiro logo em cima do gargalo!

– Suspiro? – perguntou o universitário.

– É, daqueles doces! – finalizava Estefanio, caminhando e tocando um arranjo genial que faria Charlie Parker chorar de emoção.

As mulheres do bairro as vezes o olhava com desprezo, as vezes com pena, pois muitas delas tinham filhos na idade dele . Certa noite de natal, dona Aurora, quitandeira do bairro se compadeceu do pobre coitado e o convidou para ceia em sua casa, no primeiro descuido dela, o garoto sumiu, foi achado minutos depois no banheiro, cheirando uma calçola enorme que ele havia retirado do cesto de roupas sujas. No desespero da mulher que gritou ao ver a cena, uma viatura que fazia a ronda naquele momento, entrou na casa e levou preso o pobre coitado do menino, preso pelo maior de seus vícios, cheirar calcinhas sujas.

O delegado que estava de plantão, não permitiu que o mantivesse preso por mais que uma noite, quando ouviu o garoto tocar o seu sax, fanático por jazz fez umas ligações e em algumas horas uma figura excêntrica apareceu e levou Estefanio, era um famoso produtor musical que caçava talentos para seu grupo de jazz.

Primeiro tentaram fazer com que o garoto acompanhasse o grupo com determinado tema, ele ate conseguia no inicio, mas depois perdia a concentração e de repente estava tocando outra coisa completamente diferente, depois tentaram fazer o contrario, ele começava tocando e o grupo tentava acompanha-lo, ele começava com um blues e pouco tempo depois já estava tocando uma polca.

Quando abriu um bordel no bairro, a cafetina que já conhecia os talentos de Estefanio o convidou para tocar na noite de abertura, ele até que se apresentou surpreendentemente muito bem, tocou musicas completas, fez os clientes dançar e consumir muitas bebidas e prostitutas, um verdadeiro sucesso de estreia. Pela primeira vez teve uma mulher, embora tenha passado mais tempo cheirando a sua calcinha e a vagina, soube o que era finalmente o sexo. Nesta época passava horas animando as garotas contando estórias hilárias e cheirando suas calcinhas sujas de todas as cores e tamanhos que elas traziam em bacias antes de levar para lavar, ele realmente ficava excitado, tinha até ereções. Praticamente viveu no bordel até o dia que a moral e os bons costumes resolveu fechar o estabelecimento, era uma época de censura, as beatas cristãs do bairro não suportavam ver seus filhos se degenerando nas noites, gastando suas mesadas e contraindo doenças venéreas, ainda mais quando seus pais (seus maridos) os acompanhavam. Estefanio estava novamente nas ruas, agora  viciado no álcool  e mais alucinado do que antes por calcinhas sujas.

Certa manhã, um homem conversava com outro enquanto lhe engraxava o sapato:

– Esse mundo está perdido, estão tentando legalizar a erva do demônio!

– Verdade, dizem que é a porta de entrada para o inferno das outras drogas!

– A porta de entrada para outras drogas é uma buceta suja, ou seria a cachaça que leva pras bucetas sujas?! Disse e indagou ao mesmo tempo Estefanio embriagado mamando numa meiota de cana que sentado na sarjeta ouvia a conversa dos nobres senhores.

Quando completou 27 anos, estava completamente tomado pelo alcoolismo, tinha alucinações e a aparência de um homem de 60 anos. Depois de tocar e juntar algumas moedas no chapéu entrou no primeiro bar para beber seus espólios. Deparou-se com uma jovem, bela e exótica moça que o encarava no final do balcão. Seus olhos castanhos amarelados parecia o pôr-do-sol, tinha o corpo tatuado, uma argola no septo, a cabeça raspada estilo moicano, usava uma roupa de látex preto, tinha um corpo escultural, era uma verdadeira diaba. Se aproximou e sentou ao lado de Estefanio:

– Posso te pagar uma bebida? Perguntou a moça.

– Claro, por que não? Afinal hoje é meu aniversario – respondeu o rapaz.

Piscou um olho e tentou alcançar com a língua a pedra de gelo que estava no fundo do copo, Estefanio notou que a língua da moça era bifurcada como a língua de uma cobra:

– Essa juventude de hoje em dia não tem jeito, no meu tempo não era assim, se tatuam todos, arrombam as orelhas como africanos tribais, rasgam as línguas, colocam brincos nos mamilos, na xoxota, na cabeça dos seus cacetes, não duvido que coloquem no cu também – Disse Estefanio apesar de só ter 27 anos.

– Quem é você meu querido? Perguntou a moça.

– Eu sou o Satanás! Respondeu Estefanio.

– Sério? Vamos pro meu apartamento que você me deixou excitada, Diabão! – disse a moça sibilando a lingua como uma verdadeira serpente.

Abrindo a porta, o quarto da moça estava numa desordem e desleixo que deixou os olhos de Estefanio brilhantes, calcinhas sujas de bosta, corrimento e sangue de menstruação por todos os lados, ele não sabia por onde começar a cheirar, tremia de alegria e compulsão, encontrou naquele inferno um verdadeiro paraíso. Ela logo arrancou as calças esfarrapadas de Estefanio e aproveitou sua ereção para chupa-lo. No momento em que estava para gozar a porta se abriu e entrou um sujeito enorme, com chifres enrolados, pele avermelhada como um gringo que pegou insolação numa praia tropical, tinha os pés de bode, bufava pelas ventas e lhe apontou um tridente em chamas:

– O que está fazendo com minha filha seu maldito? – perguntou o Diabo.

– Eu? Nada, ela que está me chupando! – respondeu Estefanio calmamente enquanto cheirava uma calcinha de renda suja.

– Você me disse que era o Satanás! – acusou com um sorriso maroto a moça exótica, olhando com aqueles olhos de pôr-do-sol.

– E mesmo assim, você ainda me quis! – rebateu Estefanio.

– Claro, adoro incesto! – completou a moça.

– Vamo parar com essa conversa mole, eu vim aqui pra buscar sua alma! – vociferou o Diabo.

Assim, Estefanio pegou seu saxofone e tocou summertime, naquele instante, tanto o diabo como sua filha, ficaram atordoados com a melodia divina que saia do sax, quando terminou de tocar, olhou nos olhos vermelhos flamejantes do diabo e disse:

– Infelizmente uma dama roubou minha alma, quando eu tinha 12 anos, era uma freira, me apaixonei por suas mãos macias que me tocava embaixo do lençol enquanto me ensinava a rezar – disse tristemente Estefanio.

– Mulheres…nós damos nossos corações e elas levam também nossas almas! – Finalizou o Diabo, enquanto fazia um cafuné em sua bela filha que descansava a cabeça em seu colo.

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