TEMPORADA DE CAÇA

                                        ursoeditado                                                                                                                               Por Glaucio Fabrizio

Segunda-feira de carnaval na década mais violenta dos últimos 50 anos. Calor intenso, meio-dia, há exatamente 20 anos um cidadão de nome Ariovaldo resolveu criar um bloco formado de um tipo muito comum nos carnavais, os Ursos. Garotos se cobriam da cabeça aos pés com trapos e saiam em grupos pedindo trocados para inteirar a cachaça das festas. O bloco a cada ano que passava crescia, as ruas ficavam tomadas, ursos batendo latas fazendo algazarra seguindo a fanfarra, a avenida parecia um rio de sujos molambos. No camarote armado para as autoridades, dondocas bebiam seus finos drinks gelados ostentando poder e beleza. No meio da multidão de farrapos estavam Jeová, Raimundim e Bartô, três perigosos marginais que se aproveitaram das fantasias para cometer latrocínios, traficar crack, bater carteiras e anarquizar geral, o disfarce era perfeito para malocar armas e drogas. Eles precisavam com urgência juntar uma boa quantia pois estavam endividados com um chefão local do trafico.

Por volta das nove da manhã num galpão abandonado antes da festa começar, Jeová fumava um grosso baseado enquanto Raimundim e Bartô estalavam pedras em latas de refrigerante crack!crack!crack! fazia o barulho da pedra subindo no ar um cheiro de borracha queimada.

– Vida lôca mermão, vida lôca! – disse Bartô alucinado parecendo que ia decolar.

Jeová, o mais tranquilo e calado de todos (o mais perigoso também) tirou uma pistola reluzente do meio dos farrapos, verificou o pente lotado de munição, deu uma polida na maquina com ajuda da fantasia, passou a unha na numeração raspada da arma e sorriu candidamente. Raimundim como de costume depois de fumar, tinha diarreia, obrava e depois chegava louco querendo fazer arte.

– Quarta feira de cinza porra, só temo até quarta pra pagar O Omi! – disse Raimundim.

– Nois consegue, fique peixe! – tentou tranquilizar Jeová, líder dos CONGAS VERMELHOS, os três usavam tênis conga de cor vermelha, a marca da gangue.

Abordavam as vitimas como ursos batendo lata depois anunciavam o assalto, vitimaram primeiro um jovem casal de lésbicas cambaleantes e chapadas, dois celulares, 80 reais e Bartô (estuprador crônico) ainda tirou uma casquinha da mais vistosa das garotas, só não foi mais adiante pois Jeová não permitiu. A segunda investida foi numa bodega que tinha acabado de abrir, ali descolaram mais uma boa quantia do caixa e umas garrafas de uísque Chanceler. Jeová gastou a primeira bala do dia na cabeça do dono da venda. Depois da bodega resolveram vender umas pedras e uns dolinhas. A cada viciado que vendiam, roubavam dois, esse era o revezamento 2 por 1 como dizia Jeová:

– É as olimpíada malandragem! – debochava o líder dos C.V.

Eles roubavam quase todo tipo de gente que viam pela frente, ate mesmo outros míseros ursos tinham seus trocados engabelados pela mira do cano prateado de Jeová, ou pela ponta enferrujada do punhal de Raimundim, Bartô chegava dando sopapos:

– O dinheiro fela da puta, cadê o celular? – aterrorizava Bartô dando safanões.

Por volta das 11, enquanto passavam pela Rua do Ouvidor, depois de assaltarem um posto de gasolina, viram na janela aberta de uma casa de esquina numero 45, a oportunidade de levantar mais algum. Bartô chegou batendo palmas pedindo agua enquanto Raimundim filmava o local, junto da porta Jeová esperava o desfecho. Uma mulata gorda e suada veio atender, Juju como era conhecida na rua já veio com uma garrafa d’agua e umas pratas pra dar aos ursos, mal sabia ela que seria abordada violentamente por Bartô, Raimundim rapidamente entrou pela janela e abriu a porta para Jeová. Raimundim arrumou uma sacola grande e ia jogando dentro coisas de valor, enquanto Jeová de larica assaltava a geladeira, Bartô arrastou Juju pro quarto, onde se encontrava seu esposo Manoel, um velho soldado reformado que se encontrava prostrado na cama há pelo menos 8 anos depois de ter sofrido um AVC, viviam da sua aposentadoria desde então.

Bartô arrancou o vestido de Juju, revelando suas arrobas de carne morena e suada, tetas imensas com aureolas marrons, pareciam bolachas pretas. Enquanto abafava com um travesseiro os gritos da pobre mulher, o marginal metia com força em seu sexo roxo, as marcas escurecidas entre as coxas e nas axilas deixavam Bartô mais excitado. Do lado na cama o pobre velho vegetando olhava pro teto. Raimundim entrou no quarto com uma sacola cheia de cacarecos no ombro e uma garrafa de rum que bebericava no gargalo:

– Mas que putaria é essa Bartô, só falta comer o boga do velho! – disse o marginal.

Bartô alucinado deixou a mulata Juju de lado e foi direto no velho, esfregou o pênis na sua cara que não esboçava reação nenhuma, virou o soldado reformado de bruços e meteu sem pena no rabo de seu Manoel. Raimundim dava gargalhada e como já tinha virado uma babilônia resolveu meter na mulata Juju também, espancou a pobre no rosto ate que ela desmaiou. Seu Manoel com a cara virada pro colchão deixou escorrer umas lágrimas que molharam o lençol junto com suor e esperma dos bandidos.

De bucho cheio, Jeová entrou no quarto depois de toda a anarquia, avaliando os espólios da investida:

– Pronto, agora nois já tem dinheiro pro material – disse Jeová.

-Ouxe que material? – perguntou Raimundim.

-Vamo descolar umas dinamite e estourar uns caixa amanhã, acho que pelo menos dois caixa paga nossa divida com O Omi e ainda sobra – respondeu calmamente Jeová enquanto enrolava um baseado.

– Agora vai! Bem que a gente devia trocar esses tênis conga por redley vermelhos, dá menos calo – falou Raimundim.

-Não, porra de redley tem que ser conga, é a marca da gangue, deixe de frescura porra! – rebateu Jeová meio puto.

-Bora pro bloco, vai ser só chinfra agora! – disse Bartô depois de ter sodomizado o seu Manoel.

Fumaram mais pedras Bartô e Raimundim, antes de sair Jeová gastou a segunda bala do dia na cabeça da mulata Juju, resolveu poupar o velho inutilizado Manoel economizando bala.

Meio-dia em ponto os ursos mal feitores estavam no meio da folia. Estimava-se pelo menos 3 mil pessoas no bloco, farrapos cobriam a avenida Joaquim Trabuco, o forte odor de suvaqueira e éter estavam suspensos no ar. Num canto perto das arquibancadas um urso cheirava lança-perfume nos seios siliconados de um travesti fantasiado de Marilyn Monroe, Bartô ficou excitado mas foi logo arrastado por Raimundim que seguiram em fila no meio da multidão, a locomotiva era Jeová, um autentico trem do mal. No momento que a fanfarra dava sua clássica paradinha para reverenciar os camarotes com as autoridades, um urso portando uma 12 de dois tiros com cano serrado se aproximou por trás de Bartô e efetuou um disparo em sua nuca, o mesmo tiro alvejou Raimundim que também foi abatido na hora, meio atordoado com os estilhaços, Jeová ainda tentou revidar com sua pistola, mas foi alvejado com segundo disparo na altura da garganta quase decepando sua cabeça.

No primeiro disparo a multidão já tinha entrado em pânico, o caos estava tomado, o urso da 12 foi logo derrubado pela policia que fazia a segurança das autoridades após ter tombado Jeová. Varias pessoas foram atingidas com os tiros dos policiais, ao todo foram 8 mortes. Quando tiraram a fantasia do urso da 12 viram que era seu Manoel, o velho soldado reformado que se fingia de prostrado na cama para poder receber sua aposentadoria.Com sede de vingança seguiu em caça no rastro dos ursos de congas vermelhos assassinos de sua esposa, estava então aberta a temporada de caça aos ursos de carnaval.

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